Meio&Mensagem


6 de abril de 2018 - 17h47

O Rio Content cresceu e eu, que nos anos anteriores já participei como público e como player, fui palestrante e recebi projetos em rodadas de negócios, conheci e reencontrei parceiros de audiovisual, estava curiosa pelos novos temas dessa edição. A ampliação para as disciplinas inovação e música promove um festival de entretenimento e manifestações artísticas. Não à toa, o agora Rio2C passa a ocupar a Cidade das Artes.

Num mesmo dia, assisti a uma palestra sobre a série sensação do momento e outra sobre realidade virtual. Mas ouvi os palestrantes se referindo a teatro, cinema, literatura, coreografias, escultura, todas as artes que preenchem experiências de múltiplas dimensões.

A palestra de Bruce Miller, produtor, roteirista e show runner da obra prima The Handmaid’s Tale, aconteceu num palco com um cenário onde as páginas do roteiro da série apareciam projetadas em telas. Um show. A técnica utilizada por Bruce e sua equipe para essa produção foi o tema da palestra. Desde como as interpretações foram beneficiadas pelo não uso de maquiagem – a caracterização é a cara lavada – e pela narração (voz over) que está presente no roteiro, mas que muitas vezes não são ouvidas pelo espectador, pois foram interpretadas em silêncio pela atriz Elisabeth Moss. Essa narração é a voz do livro homônimo, inspirador da série, que, como explicou Bruce, passa-se dentro da cabeça da personagem principal. Se a base das séries é o conflito, Bruce o deixa em evidência e constrói toda a história a partir do embate entre June e Offred que, para quem ainda não viu a série, são a mesma pessoa.

Bruce disse que sempre quis adaptar esse livro. O leu ainda jovem e o releu a vida inteira. Confessou ser disléxico e que demora muito para ler. E mesmo sendo homem, branco, heterossexual, judeu, pai de três filhos – e disléxico – conseguiu convencer a autora do livro que poderia contar essa história tão feminina nessa série criada numa sala de roteiros repleta de mulheres.

E vem aí a segunda temporada. Vimos a projeção do teaser numa tela de cinema. Cenas de fazer arrepiar. Bruce promete fôlego para mais 100 episódios, 10 temporadas. O conflito entre June e Offred. Ela e ela mesma. Uma palestra de aplaudir de pé!

À tarde, assisti a uma palestra de inovação: Como fazer storytelling para VR. Por que olhar pela janela, se podemos entrar dentro da casa?

Aprendi que VR não é filme, nem videogame, é uma experiência com a combinação dessas duas artes, com camadas de música, teatro, dança, desenho, performance e muita emoção. Para fazer storytelling em VR, não há sala de roteiristas, como a que Bruce falou na palestra da manhã. As equipes são multidisciplinares. Algumas trabalham com uma ferramenta – não por acaso chamada de Maestro – em que podem se conectar virtualmente de qualquer lugar do mundo.

Falaram de roteiros com tempo e espaço, inspirados em longos planos sequência de cinema e coreografias de balé. A cena como uma escultura, é preciso pensar em todos os lados e dimensões para criá-la. No lado de cima, abaixo, de longe, de perto, o da altura do olhar e também nas partes escondidas, como dentro dos objetos desenhados, porque a pessoa que esta na experiência tem as rédeas – o óculos VR – e pode querer ir lá. Afinal é virtual, mas é real e mesmo o que não é visível deve existir.

Em VR, quebra-se a quarta parede e, pelo o que percebi, não há parede alguma. O personagem principal é quem conduz a experiência e o olhar do espectador, são sempre empáticos e nós queremos segui-los. E como crianças curiosas e ativas, embarcamos no storytelling, assumindo o comando, percorrendo a experiência motivados a agir, a tomar decisões, interferir, a viver a história numa jornada emocional.

VR é uma mídia tão nova que se cria o conteúdo e, ao mesmo tempo, as ferramentas para adaptá-lo. A produção de VR, no momento, é como um ensaio aberto de teatro para seu público, sujeito a erros e aperfeiçoamento.

Para finalizar, fui experienciar os VRs no pilotis da Cidade das Artes. Fiquei tão impactada com tudo o que aprendi, que quase me atrasei para uma reunião com uma produtora que encerrava meu dia, pois até esqueci que estava na R2C para, como é também proposto, fechar negócios!

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