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“Marcas, não me chamem só por que sou negra”

Karol Conka alerta aos anunciantes para não realizarem parcerias somente por um ou outro tema estar em alta e ressalta a importância do propósito em uma ação

Luiz Gustavo Pacete
4 de abril de 2018 - 7h00

Algum tempo após ter iniciado sua carreira no Rap, a cantora Karol Conka conta que, logo que começou a trabalhar com marcas, precisou lidar com as críticas ao fato de ter se “vendida”. Hoje, com trabalhos consolidados com marcas como Net, Avon, Mercedes-Benz e várias outras, Karol ressalta a importância de que a música e a arte, qualquer ela que seja e de onde venha, também esteja representada no mainstream.

No fechamento do Summit Rio2C by Meio & Mensagem, Karol falou sobre sua relação com as marcas, o cuidado nas parcerias e alertou as marcas para os clichês. “Principalmente quando se trata de artista mulher, negro, trans, gay, marcas, tenham cuidado”, afirmou.

Karol Conka: “Eu me atento se essa marca presta a atenção na mensagem que estou passando e naquilo com o qual eu me identifico” (Crédito: Divulgação Rio2C)

Meio & Mensagem – Qual o recado que você deixaria para marcas quando o tema é trabalhar com causas e diversidade?
Karol Conka – As marcas precisam tomar cuidados para os clichês. Principalmente quando se trata de artista mulher, negro, trans, gay. Tenha cuidado. Nunca me esqueço quando sai na capa de uma revista e embaixo da minha foto tinha os termos “rapper”e “negra”. Não tem que me contratar por que sou negra ou por que “negro está na moda”. Tem que me contratar pelo meu talento.

M&M – Qual o cuidado ao se relacionar com marcas?
Karol – Eu me atento se essa marca presta a atenção na mensagem que estou passando e naquilo com o qual eu me identifico. Se uma marca está disposta a trabalhar a autoestima do consumidor, eu estou muito disposta a estar junta. Quando trabalho com uma marca gosto de ter a certeza dos motivos que ela me escolheu. Se não fica algo somente pelo dinheiro.

M&M – Você acaba de criar uma empresa, inclusive para cuidar dos seus trabalhos publicitários, o que gerou essa necessidade?
Karol – O que me levou a criar minha própria empresa, no início deste ano, foi o medo de deixar minha carreira na mão de pessoas que não entendem minha arte. Eu tive algumas experiências, as positivas, mas também as negativas e o mais importante é ter esse aprendizado do que não deu certo. Essa empresa, além de cuidar da minha carreira, ela tem como objetivo ampliar meu conhecimento e a expansão do meu trabalho. Dar assistência a outros artistas, mostrar que esse mundo é criativo, é artístico, mas também é burocrático.

M&M – Você falou recentemente sobre o desafio de colocar a mulher além do destaque, também nos bastidores…
Karol – Muito se fala do papel e da presença da mulher naquilo que é visível, na liderança. Mas a gente muda aparentemente e os bastidores? E as mulheres trabalhando na produção. Tem esse paradigma a ser quebrado. Tirar isso que mulher é chata e frágil. Todo mundo é chato e frágil. E as marcas também possuem uma responsabilidade neste contexto. De levar as mulheres para além das campanhas e das câmeras.

M&M – Você comentou a morte da vereadora Marielle Franco, no Rio, qual a responsabilidade do artista ao se posicionar política e socialmente?
Karol – As pessoas cobram muito o posicionamento e ativismo dos artistas. E eu tenho um jeito de focar no positivo. Mas eu me posiciono, me posicionei sobre o assassinato da Marielle. Alguns artistas não se posicionam. E eu entendo, muita gente tem medo, estamos falando de uma pessoa que tomou tiro, que foi calada. Eu falo porque sou corajosa. Eu acredito que é válido o artista que se posiciona porque tem uma ligação com o tema e porque é onda, e ok. O importante é se posicionar. E isso vale para nossa conversa sobre as marcas, sempre que for investir em um artista pense no seu posicionamento.

 

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  • Gil Cardoso

    Maravilhosa. Adoro artistas com posicionamento

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