Meio&Mensagem


5 de abril de 2018 - 16h33

 

 

Créditos: kizilkayaphotos/iStock

Sou formado em Matemática Aplicada e Computacional. Trabalhei 22 anos na área de Tecnologia da Informação. Ingressei no audiovisual em 2012. Tenho, portanto, muito mais tempo em TI.

Quando as pessoas perguntam o que faço neste segmento, costumo dizer que, se estivéssemos construindo prédios, eu seria o engenheiro estrutural e meu sócio, Amadeu Alban, seria o arquiteto, o que desenharia as linhas bonitas.

Hoje, quase não tive tempo de assistir a palestras, fiquei pipocando de uma reunião para outra. Assisti apenas a  parte de uma da trilha de música, que me despertou para escrever este post, porque me fez lembrar do meu primeiro pitch.

Corria o ano da graça de 2012. Eu já havia decidido a me tornar sócio da Movioca, empresa recém fundada. Tinha plena consciência de que não sabia nada do que era um projeto audiovisual, e por isso fui fazer o curso de produção executivo na AIC SP.

No final do curso tínhamos que fazer um pitch, como se estivéssemos vendendo um projeto.

Com 22 anos de TI, sendo 15 deles como empresário, sabia fazer apresentações. Me preparei, montei uma apresentação mega estruturada para o tempo que eu tinha. Fiz a apresentação, terminei exatamente no tempo.

Atingi o objetivo. A banca escolheu meu projeto como sendo o projeto que seria escolhido para receber o investimento – obviamente era tudo simulado (risos).

Apesar do aparente sucesso, uma das pessoas da banca me disse algo que nunca mais esqueci. Ela disse: “falta paixão nesse conteúdo. Você explicou tudo sobre o projeto, quanto vai custar, o mercado, porque devemos investir nele, mas sinto que este conteúdo não está nas suas veias.”

Me dei conta que não vendia mais tecnologia. Consultoria, sistemas, servidores, storage, rede, segurança da informação. Tudo aquilo que fora meu universo pelos últimos 22 anos, tinha ficado para trás.

Uma obra audiovisual, assim como uma música – e por isso a palestra de música que assisti me despertou esta lembrança –, é, antes de tudo, um produto artístico.

Tem que ser algo com alma, que toque os corações, que movimente as pessoas, que te faça refletir. E isso, só é possível se for algo… artístico. De verdade.

Desde então, sempre que algum projeto chega a minha mão, é isso que procuro enxergar, antes de tudo. Tem alma ali? Qual a história a ser contada? Por que ela precisa ser contada?

Este foi o lado que desenvolvi nestes anos. Logo me dei conta que precisaria saber avaliar roteiros, argumentos. Fui atrás, estudei, li muito a respeito. Ainda não escrevo, mas sou capaz de avaliar se gosto ou não do projeto.

Só depois entra o lado engenheiro estrutural… não adianta nada ter um prédio construído perfeitamente, otimizado no uso do cimento e aço, mas se ele for feio, quadrado, ninguém vai comprar.

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