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As mudanças além do nome

Mais ambicioso, evento tenta dar conta de toda a indústria criativa


6 de abril de 2018 - 16h41

O que era Rio Content virou Rio2C – Rio Creative Conference. Agora, o festival está mais ambicioso. Tenta dar conta de toda a indústria criativa. Não é mais um evento dedicado exclusivamente ao audiovisual. Ouvi algumas pessoas dizerem que Rio2C remete a Rio to See. Mas pela diferença de temperatura entre os auditórios, uns com o ar condicionado bombando e outros com ele não funcionando, parece que o significado oculto mais apropriado do novo nome é Rio Tossi. Pelo menos foi assim que saí de lá.

Velha casa
Até o ano passado, a casa do evento era o hotel Windsor Barra. O local era apertado, as salas, em sua maioria, tinham o pé direito baixo, os lugares para reuniões eram escassos. Mas todos esses obstáculos eram superados pela localização. Bastava sair para calçada, atravessar a rua e dar de cara com o mar. A alguns metros do hotel havia um quiosque de praia onde o festival continuava noite afora. Acredito firmemente que muitos negócios importantes foram fechados lá, embalados pela informalidade da brisa carioca. Mas chega de saudade, a realidade é que o festival não cabia mais lá.

A casa nova
A Cidade das Artes é, no mínimo, um lugar de tirar o fôlego, inclusive literalmente, se você preferir usar as imensas escadas e rampas ao invés dos elevadores. A arquitetura é deslumbrante, cheia de ângulos inusitados, espaços amplos e um ar de grandiosidade. E tudo isso ajudou a dar uma moldura mais de acordo com a importância do festival. Nota baixa é que a Cidade das Artes fica, literalmente, no meio de um imenso canteiro na Avenida das Américas. Chegar e sair do local é desconfortável. Táxis e Uber estavam bem perdidos. Não há a menor possibilidade de sair do lugar caminhando. Acho que o arquiteto francês que desenhou o complexo, Christian de Portzamparc, que nitidamente se inspirou no modernismo brasileiro, viu a Barra da Tijuca e resolveu trazer um pouco de Brasília para cá.

Indústria criativa
Se tenho uma recomendação a fazer a quem nunca foi ao Rio Content, é que nunca perca um painel com o BNDES. Não espere diversão, entretenimento, oradores eloquentes ou ppts geradores de insights criativos. Eles têm algo muito mais poderoso e motivador a mostrar: os dados que comprovam a importância da indústria criativa na economia de nosso País. O setor já representa quase 3% do PIB, paga salários acima da média nacional e é um gerador constante de patrimônio imaterial. Faz um bem danado saber, trabalhando numa indústria como essa.

Rock in Rio2C
Fui a painéis diversos: da Marvel, SBT, Globo, pitching de docs, pitching de inovação. O que vi de mais maluco e interessante foi a apresentação do Roberto Medina. Ele mostrou o seu novo projeto: um festival alienígena chamado Zaytrons, que prevê shows do Bon Jovi e da Beyoncé em uma pirâmide e outras atrações como pistas de ski com neve artificial e Cirque du Soleil. Tudo dentro do Parque Olímpico do Rio de Janeiro. Se o cara que fez o Rock in Rio Lisboa, USA, show do Sinatra no Maracanã diz que fará algo assim, a gente só pode acreditar.

Summit Rio2C by Meio & Mensagem
Vou elogiar aqui a inciativa do Meio & Mensagem e juro que não é para devolver a gentileza de ter me concedido esse espaço. O Rio Content estava carente de painéis que tivessem como tema os influenciadores, o meio digital e as marcas. Claro que por serem assuntos tão presentes e importantes, esses temas apareciam em outras mesas, mas como atores coadjuvantes ou até mesmo de penetras. O palco Summit Rio2C by Meio & Mensagem deu a essas pautas a correspondência do que elas são na natureza do mercado.

Futuro do Rio2C
Vi um pichting de inovação onde um candidato mostrou uma empresa que é uma espécie de mercado livre do lixo (sensacional) e um outro apresentou sua pequena fábrica de equipamentos simuladores de voos e afins com VR. Saí desse divertido shark tank e entrei em um painel onde a Globo e três grandes produtores independentes do mercado mostravam as séries que irão lançar brevemente em regime de coprodução. Acho que a grande dificuldade do festival será permanecer relevante em tantas frentes abertas. Tomara que a saída seja crescer e crescer sem parar, assim como o PIB da indústria criativa.

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