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See you, Rio2C

De todos os RioContentMarket que já fui, talvez este tenha sido o com o melhor conteúdo


7 de abril de 2018 - 15h15

Acabou. Bem, acabou para mim, que já estou voando de volta para São Paulo neste sábado pela manhã. O evento ainda se estende pelo fim de semana, com shows e atividades abertas para o público em geral.

Voando de volta para São Paulo (crédito: Márcio Yatsuda)

Qual o balanço que faço deste evento?

Acho que, de todos os Rio Content Market que já fui, talvez este tenha sido o com o melhor conteúdo. Muitas palestras de altíssima qualidade, grandes feras do mundo todo estavam por aqui. Infelizmente, não consegui ir a tantas que eu gostaria, mas as que eu fui, gostei de quase todas e aprendi em todas.

Apesar do estranhamento de muitas pessoas, eu gostei da inclusão de música e inovação junto ao nosso evento. É positivo. Somos primos próximos, temos que nos sentar mais vezes à mesa para conversar e ver o que iremos aprontar. Afinal, audiovisual começa com áudio.

VOD cada vez mais presente. Estavam entre as palestras mais concorridas. A palestra de Bruce Miller sobre a produção de The Handmaid’s Tale foi a que mais gostei na área criativa. É uma produção original Hulu…

E vamos a grande polêmica… O local: a Cidade das Artes. Ouvi muuuuuitas reclamações sobre o local. Sobre os problemas com ar-condicionado, as distâncias entre as salas, a falta de aconchego e de locais de mais fácil encontro entre os participantes, enfim, várias reclamações.

Como disse num dos primeiros posts sobre o evento, estranhei no primeiro dia, me acostumei no segundo, e desfrutei bastante. Do ponto de vista de negócios, para mim, foi o mais produtivo.

Como somos contadores de histórias, gostaria de contar uma história, de um dos meus ídolos históricos: Gandhi.

Na época das negociações sobre a independência da Índia, Gandhi foi a uma conferência em Londres. Chegou a grande metrópole usando suas roupas com tecidos simples de algodão que ele mesmo fiava na sua roda de fiar, e lhe ofereceram estadia e segurança dignas de um chefe de estado. Melhor hotel, melhor suíte, e todo um aparato de segurança.

Ele agradeceu a gentileza, mas pediu para ficar num bairro operário, de preferência da área têxtil, e que gostaria de ser hospedado na casa de algum operário.

Ele foi advertido que não era uma boa ideia e que temiam pela sua segurança. Por causa do exemplo dele, os indianos tinham voltado a tecer suas próprias roupas, tornando escasso o algodão na índia, e diminuindo drasticamente a demanda pelos tecidos ingleses. Na época, a Índia já contava com uma população de mais de 300 milhões de habitantes, um belo mercado potencial.

Como consequência dessa diminuição de demanda, os operários da indústria têxtil estavam muito bravos com ele, pois muitos tinham perdido emprego, ou visto seus salários serem reduzidos. Após ouvir esta advertência, ele afirmou “por isso mesmo tenho que ficar lá”. Assim o fez.

Apesar das hostilizações iniciais, ele fez os operários enxergarem o lado dos indianos. Da extrema miséria que a imensa maioria dos indianos viviam e que voltar a tecer permitiu a muitos não somente ter roupas melhores, mas também terem alguma renda.

Sensibilizou os operários a não somente deixarem de ter raiva do movimento de independência da Índia, como convenceu-os a pensarem juntos melhores caminhos para ambos os lados.

Ok, você deve estar pensando “Mas ele era o Gandhi, p…!”. É verdade, ele era daquele naipe que só teve um.

Mas seus ensinamentos valem mais do que nunca nos dias de hoje de tanta tensão, radicalismo e ódio. Deveríamos exercitar esses princípios no nosso dia a dia. Na nossa vida familiar, no trabalho, nas redes sociais… e nos eventos que vamos. Aprender a se colocar no lugar do outro e a apreciar o que temos, mais do que pensar no que não temos.

Do lado de quem foi e não gostou, sugiro entender que foi o primeiro ano neste formato. Que o local tem, sim, muitas limitações, mas foi a única opção viável que a organização conseguiu no tempo que teve. Que a maioria da equipe de produção é toda nova. Critique, sim, mas de forma propositiva e o mais específico possível.

E do lado da organização, tenho certeza que farão isso, a disposição em ouvir as críticas e agir. Saber separar as críticas saudosistas muitas vezes infundadas, daquelas críticas que têm fundamento, e que devem ser ouvidas e solucionadas para que tenhamos uma Rio2C 2019 ainda melhor do que a de 2018. Entender que os gringos sentem mais calor que nós, e muitos deles usam terno e gravata, e sofreram, sim, com o calor.

Ah, data venia, não tive nada a ver com a organização do evento.

É isso que penso. Nos vemos por aí.

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