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Ruas: berço de desigualdade, inspiração e criatividade

Rapper, compositor, estilista e empresário Evandro Fióti fala sobre a inserção da periferia na agenda das marcas e agências

Bárbara Sacchitiello
23 de abril de 2019 - 20h07

“Ao mesmo tempo em que influencio pessoas, tenho de reconhecer que também sou um ser humano em transformação”, diz Fióti (Crédito: Reprodução)

“A rua é onde tudo acontece. Enxergamos a rua como um ambiente em que a verdade está. A rua é onde aparece a grande desigualdade que temos, mas também é o lugar onde podemos fazer a diferença. É na rua que podemos construir um mundo melhor”. Com essas frases, o rapper, compositor, produtor e empresário Evandro Fióti respondeu a pergunta que dava o tom do painel do qual participou no encerramento das atividades do Summit na edição 2019 do Rio2C.

Há dez anos, o jovem da zona norte paulistana decidiu deixar o emprego que possuía no McDonald’s para seguir o sonho de viver da música. Junto com o irmão, Emicida, Fióti viu que nas comunidades em que frequentava surgia um movimento de ocupação de espaços e oportunidades até então restritos. “Na época eu ainda estava dividindo o quarto com meu irmão e colocando balde para segurar as goteiras. Para os jovens negros da periferia, por muito tempo, o significado de futuro era ser pedreiro ou encanador. Sem nenhum demérito a essas profissões, mas começamos a ver que poderíamos ir mais longe do que isso”, conta Fióti.

Além da música, há anos o produtor e compositor também vem direcionando seu talento para o ramo de negócios. Com o irmão, Emicida, ele criou, há dez anos, a Lab Fantasma, um selo de roupas e de agenciamento de artistas que procuram traduzir a essência real da periferia para o universo do consumo.

Na Rio2C, Fióti dividiu com a plateia algumas formas pelas quais vem procurando inserir agências e marcas em um contexto de comunicação mais direto com a população que reside distante dos centros urbanos. Pela Lac Fantasma, o empresário já participou do desenvolvimento de coleções e ações de comunicação com marcas como C&A, iFood e Rider. Para o Dia dos Namorados, sua empresa criou a primeira coleção de vestuário da rede Imaginarium, para a qual também produziram a campanha.

“Procuro sempre usar dados e números para que as marcas e agências conheçam mais a realidade da periferia. Isso faz com que elas entendam melhor o potencial daquela população. E procuro sempre analisar o impacto dessas parcerias. Uma ação de comunicação não serve apenas para vender produto. Ela gera impacto e deixa um legado que permanece para sempre”, analisou o músico.

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