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Flora Gil: “nunca entregue o que você criou”

Empresária que cuida da carreira de Gilberto Gil faz um alerta sobre a importância de proteger a propriedade intelectual

Teresa Levin
27 de abril de 2019 - 10h53

Flora Gil alertou sobre os cuidados necessários com a propriedade intelectual dos criadores (Crédito: Divulgação)

Mesmo que ganhem um pouco menos, nunca entreguem o que vocês criaram. O conselho para o público presente no painel “360o sobre o negócio da música”, no Rio2C, foi de Flora Gil, mulher de Gilberto Gil. Ela esteve na conferência da indústria criativa falando como a executiva que, não só cuida da carreira do músico, mas que foi a responsável por resgatar os direitos do cantor e compositor sobre sua obra após muitos anos em mãos de grandes gravadoras. Por tudo que viveu ao lado do marido, ela foi categórica ao defender mudanças no modelo de negócios que rege o mercado da música, mas também quis fazer um alerta para aqueles que atuam no audiovisual. Para ela, é fundamental que criadores entendam a necessidade de terem a propriedade intelectual sobre suas produções.

“Você faz uma série e quer entrar na Globo, Multishow, Netflix, Amazon, são muitas as possibilidades hoje em dia. Mas o pensamento que tem que ir junto é de que a propriedade tem que ser, no mínimo, dividida, nunca entregue”, alertou. Para ilustrar a estranheza que lhe causa alguns formatos ainda praticados, citou mudanças que a sociedade vive em seu dia a dia por conta da evolução tecnológica. “Hoje, em 2019, com a vida da gente no telefone, na palma da mão, em que assistimos tudo que queremos, a modernidade tem que estar no modelo de negócio também”, refletiu. Para ela, não é possível compreender como, vivendo com o que chama de modernidade avançada, algumas indústrias ainda pratiquem um modelo de negócio de 1500.

“Quero direito de ter isso com o Gil, mas multiplicamos esta ideia em outros escritórios e artistas. Fui do grupo Procure Saber, criado para discutir o direito do criador. Envolvia Caetano, Marisa, Roberto, Djavan, seus empresários, discutindo o modelo de negócio”, relembrou. Flora frisou que é fundamental que os criadores que estão entrando agora no mercado, seja na música, no audiovisual, ou em outro segmento, não entreguem os direitos sobre suas obras. “Não assinem nada que depois de 10, 20 anos, seus filhos pensem: minha mãe fez isso, mas eu não recebo nada”, aconselhou.

 Case OK OK, OK
Após a retomada dos direitos sobre a obra de Gilberto Gil, um dos cases com sua carreira sendo cuidada em um formato 360o pelo escritório GG Produções, no qual está Flora Gil, foi o lançamento do mais recente álbum do artista, o OK, OK OK. “Quis encontrar um patrocinador, uma força maior, fazer um contrato de marketing bacana”, contou. A partir daí, o artista fechou o lançamento do disco com a agregadora digital Alta Fonte, que fica na Espanha e já havia desenvolvido um trabalho com os Tribalistas. “Eles nos deram tudo que combinaram previamente. É uma gravadora física e digital. Através deles tivemos contato com a Apple e eles se juntaram, colocaram um dinheiro grande para fazer a divulgação de um artista grande. Entenderam que poderiam fazer toda a movimentação do disco do Gil sem tocar na propriedade”, fala. Como a Alta Fonte não trabalha com o produto físico no Brasil, esta parte ficou a cargo da Biscoito Fino. “Se tem um conteúdo incrível, não fique na ilusão de ser só divulgado, tem que ter um papel assinado de que daqui a dez anos você pode querer passar para outro lugar”, observou.

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