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A fonte de inspiração com as crianças: uma via de mão dupla

Neste sentido, o papel dos produtores de conteúdo e das plataformas se torna fundamental para garantir um consumo saudável nas mídias digitais


29 de abril de 2019 - 19h36

Durante as palestras do Rio2C, fiquei pensando em como aplicar diversos pontos que foram falados nas palestras no meu dia-a-dia, trabalhando com produto infantil. Independentemente do tema, uma coisa é certa: num mundo onde a tecnologia anda lado a lado com o conteúdo, precisamos redobrar a atenção com o que nossas crianças consomem e com a forma como elas podem ser afetadas por robôs e algoritmos.

Quando falamos sobre o uso de dados e a tão discutida LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais), que está prestes a se tornar oficial no Brasil, as opiniões são diversas. Enquanto uns defendem que fornecer dados é importante para o avanço da tecnologia e dos algoritmos, outros acreditam que as informações que fornecemos são caras e, por isso, devem ser tratadas com cuidado.

Não devemos ser ingênuos a ponto de pensar que dar um “aceite” na politica de privacidade de um aplicativo seja de graça. O dado se transforma em informação, que se transforma em conhecimento. Isso é obvio, mas será que é óbvio também os impactos que isso pode ter na nossa vida? Até que ponto um “aceite” não nos coloca numa bolha, de forma que somos inundados apenas por assuntos que, aparentemente, nos interessam ou por opiniões próximas às nossas?

Falamos sobre diversidade, em sair da bolha, em pensar diferente, mas a realidade é que as máquinas de inteligência artificial têm o poder de nos aprisionar numa Matrix e, de dentro da caverna, só veremos as sombras lá fora. É mais importante a comodidade de ter acesso fácil à informação que nos interessa ou seria mais relevante a liberdade para escolhermos a informação que desejamos capturar?

Como as crianças se inserem nesse contexto? Na medida em que os dados delas deveriam ser protegidos, mas, por outro lado, elas também não têm discernimento de escolher o que seria apropriado para elas. Neste sentido, o papel dos produtores de conteúdo e das plataformas se torna fundamental para garantir um consumo saudável nas mídias digitais.

É claro que os pais e cuidadores são responsáveis por educar, dar o exemplo, passar valores e princípios, mas temos que ter a consciência de que a criança é uma esponja. Tudo o que ela consome, ou o que ela vê, se torna um exemplo de comportamento e que contribui para a sua formação. Por isso, não podemos jogar esse peso apenas nos pais e cuidadores. Todos – creators de YouTube, produtores de conteúdo, players de games, marcas e plataformas digitais – somos corresponsáveis.

Fica aqui um convite para refletirmos sobre o nosso papel neste cenário e o que estamos fazendo, efetivamente, para protegê-las e para contribuir no desenvolvimento de crianças com mentes e corpos saudáveis. Crianças que jogam, que assistem a vídeos na internet, que assistem à TV, que consomem conteúdos adequados, e que também saem de casa e brincam com os amigos no modo off-line.

Costumamos ouvir que a criança deve ser protagonista do próprio aprendizado, o que, de fato, é superimportante, mas os caminhos que serão apresentados a elas cabem a nós. Somos coadjuvantes de um futuro próximo, que será construído e liderado por elas, mas, hoje, somos nós os protagonistas na edificação do presente. A fonte de inspiração com as crianças tem mão dupla, delas para nós e de nós para elas.

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