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O sucesso por trás de Grey’s Anatomy  

Executiva, roteirista e atriz da série, no ar desde 2005, contam os bastidores da produção

Carolina Huertas
29 de abril de 2022 - 18h41

Grande sucesso ao redor do mundo, a série Grey’s Anatomy, no ar desde 2005, completou 400 episódios. Para explorar os bastidores da criação de Shonda Rhimes, o Rio2C trouxe ao último dia de conferência a atriz Stefania Spampinato, Beto Skubs, roteirista da série, e Kiley Donovan, produtora executiva e roteirista, para o painel “Grey’s Anatomy e Station 19: do roteiro à produção”.  

O roteirista e a diretora revelaram que a construção dos episódios acontece a partir do desenvolvimento das histórias dos personagens e sua trama em cada temporada. Questionados sobre qual seria o sucesso da série, Kiley respondeu que não existe uma fórmula para o sucesso e que os episódios vão sendo construídos a diversas mãos conforme as ideias vão surgindo, dependendo da história escolhida.

“Às vezes, um escritor é melhor para aquela história ou tem outro que consegue atribuir algo de sua vida pessoal naquilo. Então, sentimos enquanto desenvolvemos. Não existe isso de ‘vou escrever tantos episódios’ ou algo do tipo. E, sinceramente, essa é a beleza dos roteiristas de TV: todos estão envolvidos, o projeto tem o dedo de todos que estão na sala de roteiro e toda história passa pelo showrunner no final para garantir uma voz unificada para o programa”, explica a diretora.  

Série está no ar na TV desde 2005 (crédito: Shutterstock)

Roteirista brasileiro  

Beto Skubs, roteirista de Grey’s Anatomy e Station 19, é brasileiro e participou não só do roteiro, mas de uma cena na 18ª temporada de Grey’s Anatomy, onde uma família brasileira vai até o hospital. Para além dessa experiência, o escritor conta que, na produção, diferentemente de como se trabalha no Brasil, os roteiristas participam de quase todas as etapas, seja no set dando auxílio aos atores ou na pós-produção.    

“Como roteiristas, nós também estamos envolvidos na pós produção, porque recebemos cada corte do programa, assistimos a todos eles, pegamos, fazemos notas junto do showrunner. Nós somos consultados em cada passo desde o início da primeira página até o corte final. O escritor vê quase tudo”, revela Skubs.

O profissional afirma que o Brasil precisa observar mais o relacionamento das outras equipes com os roteiristas nos Estados Unidos, pois este entrosamento rende melhores produções e, consequentemente, mais lucrativas. “Isso não é porque somos melhores que os outros, mas porque estamos sempre em contato com as histórias”, aponta.  

Importância da diversidade  

Stefania interpreta a médica Carina na produção que, assim como ela, é italiana. A personagem também é bissexual, assim como outros da série. Ela comentou que considera, assim como muitos dos fãs, a diversidade como um dos pontos fortes da trama. Para além de trazer isso nos personagens, a produção aborda durante a trama questões sociais, ambientais e raciais.  

“Eu não acho que o programa tem a responsabilidade de abordar esses assuntos relevantes, mas é realmente uma escolha trazer esses assuntos para dentro. E isso é muito importante para uma série que estão acontecendo há tanto tempo. É lindo”, afirmou a atriz.  

Neste processo de trazer a realidade para a tela, Kiley conta que é preciso ter a diversidade também nos bastidores para se ter um trabalho completo, plural e verdadeiro. “Nós fazemos salas de roteiro bem diversas, se nós decidimos colocar um personagem que é representativo, não especificamente teremos um escritor não binário para um personagem não binário, mas nós temos grupos queers, LGBTQIA+ entre nossos roteiristas. Nós consultamos muitos especialistas, organizações, fazemos pesquisas”, explica Kiley. 

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